DEFESA

Almanaque Experiência 02 ou “Lázaro, venha para fora”: colônias, hanseníase e o mito civilizatório da modernidade

Leonardo Vieira

20 de agosto de 2026

FAUFBA, Salvador/BA


Nós, do Laboratório Urbano (PPGAU-UFBA), temos a satisfação de convidar todas e todos para a defesa da dissertação “Almanaque Experiência 02 ou “Lázaro, venha para fora”: colônias, hanseníase e o mito civilizatório da modernidade” de Leonardo Vieira, com orientação da Profa. Paola Berenstein Jacques. A defesa ocorrerá no dia 20 de agosto de 2026, às 9h, no Auditório Mastaba, na Faculdade de Arquitetura da UFBA.

RESUMO

Lepra, palavra de origem grega, significa descamar. É também um peixe, respirando por um cilindro de oxigênio, que abre uma das telas da Via Sacra pintada por Luiz Veganin entre 1987 e 1992, na Igreja Matriz da Colônia Santa Isabel, em Betim/MG. A partir dessa imagem, situada entre corpo, doença, sobrevivência e artifício, esta dissertação propõe uma leitura urbanística da história da hanseníase no Brasil, com ênfase no período entre 1918 e 1962 e em seus desdobramentos posteriores. O percurso toma como eixo a Colônia Santa Isabel e a formação dos Limas, atual Citrolândia, examinando como políticas sanitárias, discursos médicos, práticas religiosas e dispositivos arquitetônicos produziram formas de cidade orientadas pelo isolamento, pela vigilância e pela separação compulsória de famílias. A colônia é analisada como uma das materializações do mito civilizatório da modernidade, sustentado por fantasias de pureza, desejos de ordem e pela exclusão dos corpos considerados ameaçadores à cidade moderna. Diante dessa estrutura, os Limas surgem como uma colônia-contra-colônia: um território construído por familiares, fugitivos e sujeitos atingidos pela política colonial da hanseníase, no qual se formaram outras práticas de moradia, sociabilidade, organização política e produção da memória. A pesquisa articula documentos oficiais, periódicos, fotografias, entrevistas, memórias familiares e as pinturas de Veganin por meio de uma montagem que aproxima tempos, imagens e fragmentos sem buscar recompô-los em uma narrativa totalizante. As escamas que atravessam o trabalho funcionam como superfície arqueológica da colônia, como vestígios de uma história fragmentada, inscrita nos corpos, nas cidades e nos arquivos. Ao acompanhar as formas urbanas produzidas pelo isolamento e as contraformas construídas por aqueles submetidos à segregação, a dissertação sustenta que a história da hanseníase constitui também uma história da cidade brasileira e de seus modos de definir quem pode habitá-la, atravessá-la e participar de sua construção.

BANCA AVALIADORA

Presidente – PAOLA BERENSTEIN JACQUES
Externa à Instituição – MARGARETH APARECIDA CAMPOS DA SILVA PEREIRA – UFRJ
Externo à Instituição – WASHINGTON LUIS LIMA DRUMMOND – UNEB

DATA E HORÁRIO

20 de agosto de 2026, às 9h

Auditório Mastaba, Faculdade de Arquitetura – UFBA, Salvador/BA