Doutorado

A partilha da cidade: a arquitetura e urbanismo entre desejos e simulacros

Lutero Pröscholdt Almeida

2016

Esta pesquisa surge da nebulosidade de entender quem conduz o território da cidade: quem parte o território? Ele é realmente partilhado? Há uma participação por parte dos habitantes da cidade? Por que o espaço é repartido desta forma? Logo, o prefixo “parte” trabalha como um articulador que questiona o espaço urbano, visto que o ato de dividir qualquer parcela do território predispõe necessariamente um conflito de propriedade: esta parte é minha? É nossa? É de quem? O grande problema de apreender as partilhas na cidade seria entender a multiplicidade que a torna nebulosa, logo, talvez se trate de um problema de outra natureza, talvez seja um problema de representação/interpretação, visto que as intenções de agir no território nunca estarão expressas nitidamente. A hipótese aqui defendida é que a arquitetura e urbanismo se comportam como um grande simulacro, em que suas intenções são simuladas de forma favorecer partes específicas. É concebível pensar a arquitetura e urbanismo como um simulacro, contudo, é importante ressaltar que estes simulacros não se substancializam somente como uma fraude, uma mentira ou um desvio conceitual. O simulacro se sustenta exclusivamente por uma força desejante que o preenche. O desejo é a força motriz de conservação e aniquilamento do simulacro. Por um lado, simula-se para preencher um desejo; por outro lado, o próprio desejo se encarrega de desarticular simulacros. Portanto, tem-se como a principal hipótese esta ligação do desejo e do simulacro, cujo desejo é o principal agente de consubstanciação e de desmantelamento de simulacros.


Palavras-chave: Arquitetura e urbanismo. Cidade. Simulacro. Desejo.


Orientador

Pasqualino Romano Magnavita


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