Doutorado

O dispositivo de pacificação dos espaços públicos urbanos através de um percurso pela Avenida Sete de Setembro

Maria Isabel Costa Menezes da Rocha

2016 – com estágio no Laboratório CRESSON – Grenoble/França (2012-2013)

A proposta desta tese, de entender o processo de pacificação dos espaços públicos urbanos, nasceu da inquietação a respeito das condições dadas aos pedestres de praticar a cidade, seja através do caminhar, seja por outros usos que envolvem diretamente o corpo do praticante na apreensão e na conformação do ambiente. Se, inicialmente, nos baseamos na ideia do apaziguamento de mobilidades – processo empreendido sobre o discurso de favorecer os deslocamentos lentos não-motorizados – somos confrontadas a outros processos que visam reformar a imagem de cidades, a partir do apaziguamento, mas não apenas. Partimos então em busca de uma experiência empírica que pudesse revelar a pacificação dos espaços públicos em torno de uma das mais importantes vias públicas da cidade de Salvador. A vivência cotidiana e errante (Paola Berenstein Jacques) da/na Avenida Sete de Setembro se definiu como o principal caminho para entender como as relações sociais constroem sentido junto com as ambiências urbanas, e como elas vêm a ser transformadas a partir da intervenção do poder público, visando a requalificação urbana segundo os preceitos do planejamento estratégico. Através da prática do caminhar, encontramos nesta Avenida, um campo de ampla atuação da Secretaria Municipal de Ordem Pública, produzindo ordenamentos que revelam um dispositivo de gestão de territórios, submetendo as práticas habitantes ao que se estabelece (a partir de então) como ordem. Desta forma, além de processo, entendemos a pacificação (ou ordenamento) como dispositivo de poder (Michel Foucault), pois articula elementos diversos – desde o discurso da sustentabilidade (no qual se encontra o apaziguamento de mobilidades), às questões sobre a estética urbana, políticas de segurança pública, promoção do turismo, etc.. Assim, nos disponibilizamos a uma contaminação afetiva (Felix Guattari) afim de apreender o dispositivo pacificador através do percurso na Avenida Sete, observando igualmente os aspectos históricos que ela nos revela, nos falando sobre outros dispositivos, outras pacificações, mas, sobretudo sobre os muitos outros sujeitos (Ana Clara Torres Ribeiro) que agem a pesar de e em relação ao dispositivo, reinventando sua existência cotidianamente.


Palavras-chave: Dispositivo de pacificação. Ordenamentos. Percurso urbano. Salvador.


Orientadora

Paola Berenstein Jacques


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