Doutorado

Devir-criança e a cidade: histórias do Centro de Vitória, Espírito Santo

Camila Benezath Rodrigues Ferraz

Resumo

A infantilização é uma estratégia da máquina de produção da subjetividade capitalística que retira do indivíduo a autonomia para pensar e organizar a vida. É uma tentativa de encaixar nas estratificações dominantes tudo o que se relaciona com desejo, vontade de amar e de criar. Entretanto, existem pontos de ruptura, desvios e reapropriações; focos de uma micropolítica que atua pela experiência cotidiana, como é o caso do devir-criança. Este conceito, encontrado ao longo da obra de Gilles Deleuze e Félix Guattari, relaciona-se com a criação de representações heterogêneas em processos de singularização. A ruptura promovida pelo devir-criança quer retomar a criatividade e a capacidade de percepção e afeto que a criança possui antes de ser modelizada pelos equipamentos produtivos. Contudo, não se trata de imitar uma criança ou regredir a uma fase anterior de desenvolvimento: trata-se de entrar no campo da experimentação, das possibilidades, de subverter a lógica adultocêntrica e de abandonar a máscara que impõe limites, domestica e desencoraja. Seria possível aproximar o conceito de devir-criança ao campo da arquitetura e do urbanismo para abordar as cidades? Nesta pesquisa, definimos como recorte espacial a Rua Sete de Setembro, no Centro de Vitória, Espírito Santo e buscamos encontrar devires-criança na experiência cotidiana ao longo do século XX. Incorporamos o devir-criança na maneira de pesquisar, manipular e escrever com os afetos encontrados, em uma tentativa de abordar a cidade não como um objeto a ser desvendado, mas como uma cartografia sentimental a ser desenhada. Em diversos encontros, o devir-criança (da criança, dos adultos, do jovem e também do cartógrafo-pesquisador) se mostrou como uma potência para contar outras histórias de cidades em rupturas com estratos dominantes e na afirmação da vida.

Palavras-chave: Devir-criança. Criança. Cartografia do Cotidiano.

Orientador

Xico Costa

Período

2015-atual

Estágio do trabalho

Pesquisa em andamento