Doutorado

Cidades em disrupção: uma teoria das urbanidades excremenciais

Cícero Menezes da Silva

Resumo

O trabalho em questão tematiza a potência disruptiva das urbanidades excremenciais, isto é, de todos aqueles impulsos que nas cidades se constituem pelos processos dilapidatórios, no interior mesmo, ainda que às margens da lógica utilitária de acumulação, contudo, em seu detrimento; assim minando o âmago estrutural das configurações urbanas homogêneas, de onde emerge e se instaura a própria volatilidade extrusiva do heterogêneo. São, pois, os rebentos oriundos de ações insubmissas à negatividade humana, como arguiu Bataille, “negatividade sem emprego”, e como tal, nas cidades desempenhando um cáustico papel absolutamente indócil frente à produtividade urbana e, consequentemente, à funcionalidade urbanística. Esses rebentos extrusivos são disrupções, ou seja, roturas, fraturas, rupturas excessivas que acionam nas cidades sucessivas reconfigurações anamórficas nas quais a inutilidade dá-se irrompida no interior mesmo da cidade de aspecto útil, violentando-a sem, contudo, suprimi-la; tão logo disrompendo-se do intrincamento constituído pelas imperiosas lógicas capilarizadas do consumo e do controle, ambas determinadas pelas aglutinações dominantes de forças cíveis e estatais das quais, portanto, o urbanismo é uma das maiores expressões. É sob tal postulação que até aqui nos armamos para a construção de uma teoria urbana que se lança no heterológico das cidades, espacialidades tais, em cuja condição as urbanidades excremenciais aberram e logo ab-reagem, avultando-se enquanto semelhanças dilacerantes, absolutamente outras e, portanto, enquanto dessemelhanças as quais sub-repticiamente nos arremessam com violência frente ao abismo do real. Uma teoria das cidades em disrupção, isto é, das operações que acionam nas cidades sucessivas reconfigurações anamórficas. Uma teoria, pois, que em paridade com tal acionamento, sob o signo da anamorfose, prolifica as perspectivas possíveis de mirada no objeto que lhe é alusivo, a saber, as urbanidades excremenciais, em cujo aspecto formal, por sua vez, emergem sempre sob aparições informes, sempre por se formar, por se configurar outra vez, continuamente se reconfigurando, de tal modo, assombrando e aterrorizando todos os axiomas utilitários que nas cidades resolutamente se pretendem fundados e logo instituídos.

Palavras-chave: Urbanidades excremenciais. Teorias da cidade. Teorias urbanísticas.

Orientador

Pasqualino Romano Magnavita

Coorientador

Washington Luis Lima Drummond

Período

2017- atual

Estágio do trabalho

Pesquisa em andamento