Mestrado

A arte urbana (Pixo e Grafite) como atravessamentos nos processos de “requalificação” e “ressignificação” dos espaços públicos democráticos: Nova orla do Rio vermelho 2016

Ygor de Andrade Araujo

A pesquisa visa tensionar e tracionar as dimensões da arte urbana contemporânea expressa nos espaços públicos* das cidades através da pixação e do grafite, abordando o planejamento e produção do espaço urbano das cidades materializados em projetos de requalificação, como atravessamentos e componentes ao entendimento da compleXcidade urbana.

Com recorte em Salvador, mais especificamente no bairro do Rio Vermelho, o projeto da Nova Orla do Rio Vermelho, inaugurado pela prefeitura em 2016, é um dos temas que norteiam este trabalho, junto com o pixo e o grafite que se fazem presente permeando toda a história da cidade e marcando o urbano através de suas imagens, também revelando práticas que dentro do universo do “muito além do bem e do mal” podem ser ricas fontes de conhecimento aliadas ao urbanismo, por revelarem comportamentos, ações e modos de vida que o habitante ou não, praticam no espaço público e os seus desdobramentos em todos os campos e planos que atravessam o lugar e o tema.

Outro ponto importante é entender como atuam as forças que operam nesses territórios que são físicos, mas que extrapolam a solidez da urbe, formam complexas redes de domínios e interesses. Em alusão à rede dos pescadores, podemos pensar no Estado, na sociedade, no capital financeiro imobiliário e no comércio, como atores principais da disputa territorial constante e movente pelo direito à diferença ou pela forte indiferença em suas relações. Questões de gênero, raça e todo tipo de segregação ou violência que ocorram, também serão agrupados aos temas mais luminosos**.

A arte urbana, através das suas manifestações/produções, tendo o grafite e o pixo como objetos de estudo e seus desdobramentos e abordagens na cidade, antagônicas ou não, na relação com outros setores da sociedade, questiona dentro de um sistema democrático, possibilidades de construção, vivência e fortalecimento do espaço público através das questões que envolvem a pixação, por exemplo. Para além do fundamental direito à moradia e trabalho com dignidade que constituem base da nossa nação/constituição, o direito do ir e vir e as liberdades individuais no coletivo, como a alteridade sendo enfoque central, compõem vetores que junto à arte, direcionam esta pesquisa a fim de ampliar entendimento da complexidade urbana e elaborar uma crítica ao planejamento ortodoxo, tecnicista, segregador e neoliberal em voga. A partir do entendimento das interfaces da arte, do artista, da sociedade com outros atores que produzem a cidade, visando questionar saberes sedimentados tradicionais e acadêmicos vigentes frente a uma crítica outra do espaço público urbano visto a partir das leituras diversas da arte e da produção/ presença da alteridade e multiplicidade humana, espaço urbano contemporâneo.


NOTAS

* O espaço público entendido aqui como a sobra territorial pertencente ao coletivo, em anacronismo com a propriedade privada que por seu caráter individualizador, concentrador, segregador e até paradoxalmente de um certo modo libertador, se limita por meio de muros físicos e fronteiras virtuais em relação de quase conflito com a rua.
** Em referência ao conceito de opaco/luminoso de Milton Santos.


Palavras-chave: Arte urbana. Espaço público. Pixo. Grafite. Democracia. Planejamento urbano. Ten & Tra-cionamentos. Ressignificação. Desconstrução.


Orientador

Pasqualino Romano Magnavita

Coorientador

Eduardo Rocha Lima

Período

2017-atual