Mestrado

Das narrativas literárias de cidades: experiência urbana através do Guia de ruas e mistérios da Bahia de Todos os Santos

Osnildo Adão Wan-Dall Junior

2013

Este trabalho tematiza as narrativas literárias de cidades enquanto transmissão e transformação da experiência urbana e problematiza a “produção subjetiva” da cidade de Salvador pela literatura de Jorge Amado através de Bahia de Todos os Santos. Toma-se como fio condutor da pesquisa o processo narrativo do livro que, desde sua primeira publicação no Brasil, em 1945, narra a experiência da então cidade da Bahia, passando por importantes atualizações realizadas pelo próprio escritor em pelo menos seis revisões textuais ao longo de quatro décadas e de mais de quarenta edições. Para a compreensão dessa sucessão de narrativas de cidade e daquilo que as caracteriza, apontam-se dois enunciados discursivos sobre a coexistência de outras narrativas sobre a própria cidade de Salvador: o primeiro cruza a produção literária de Jorge Amado com narrativas hegemônicas do urbanismo em quatro períodos, contextualizando-as a um panorama urbanístico do que se pensou para a cidade e do que efetivamente foi realizado, enquanto o segundo apresenta Bahia de Todos os Santos como um guia de cidade que, junto a outros “agenciamentos coletivos de enunciação” (Guattari), produz subjetivamente em seus leitores-viajantes-turistas uma “ideia” sobre a (cidade da) Bahia ao convidá-los para uma visita: – Vem, a Bahia te espera. Assim, a década de 1970 seria um período de importante “reorganização” da narrativa que a faz dividir-se, implicitamente, na narração de (pelo menos) duas “cidades da Bahia” ou de duas “Bahias de Todos os Santos”, tendo o ano de 1977 como ponto de inflexão. A temática do trabalho é complexificada, ainda, pela identificação do Centro da cidade como o lugar mesmo das “ruas” e dos “mistérios” evocados pelo subtítulo da narrativa, onde coabitariam tanto o “povo” quanto a “cultura popular baiana”. É partindo dessa leitura que se apreende um permanente “estado de ruína” nessa cidade que se modernizou através de grande parte do século XX, indissociado, por sua vez, das “ruínas” daquilo que foi sendo substituído pela narrativa em sua própria sobrevivência.


Palavras-chave: Experiência urbana. Narrativas urbanas literárias. Produção de subjetividade. Salvador. Jorge Amado.


Orientadora

Paola Berenstein Jacques


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