Mestrado

Atolado em sargaços: fluxos da “Cultura” na Salvador do capital e dos sonhos

Leandro Max Peixoto Santos

2016

O que aqui mostramos resulta de um esforço em lançar luz sobre alguns dos processos urbanos e, principalmente, urbanísticos em curso na Salvador do século XXI. Tomando como mote as recentes intervenções em função do Complexo Cultural da Barroquinha, Centro Histórico de Salvador/Bahia, dedicamo-nos, de forma particular, a problematizar a presença, flutuação e constância do recurso da “cultura” nas estratégias discursivas que legitimam as intervenções no espaço, e algumas de suas reverberações e rebatimentos na materialidade da cidade, em sua dinâmica urbana. Iluminados em grande medida pelo Passagens, de Walter Benjamin, reunimos e amalgamamos uma constelação de fragmentos extraídos de “fontes” diversas, num esforço aqui traduzido em metodologia do fragmento; ou das afetações. Poesia na ciência e ciência na poesia. Irrupções poéticas (imagéticas) como possibilidade criativa em meio à racionalidade científica. Poesia como sonho. É desse intercruzamento que Gregório de Matos, Castro Alves, Glauber Rocha, Waly Salomão e Lina Bo Bardi emergem como privilegiados interlocutores; tempos e lugares (por vezes) embaralhados. Junto a eles, seguimos acompanhados de perto por Milton Santos, em seu O Centro da Cidade do Salvador. Lentes turvas; ciência das afetações. Um texto dos excessos. Mesmo assim, e apesar de tudo, esperamos, à luz das críticas aos processos de espetacularização das cidades, contribuir para a ampliação dos atuais debates relativos às transformações em curso não só na cidade do Salvador, mas também nas cidades contemporâneas.


Palavras-chave: Cultura. Patrimônio. Centro Histórico de Salvador – Bahia. Planejamento estratégico. Espetacularização das cidades. Complexo Cultural da Barroquinha. Feira do couro.


Orientadora

Paola Berenstein Jacques


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