Mestrado

O que pode um corpo diante do afeticídio urbano? A “potência de não” e a “tática do segredo” como formas de resistências

Santiago Manuel Cao González

2016

Iremos propor que há uma potência disruptiva nos encontros corpo-a-corpo capaz de tornar possível o (im)possível, mas, para que as pessoas possam se encontrar, precisarão da existência de um espaço em comum onde isto possa acontecer. E será essa conjunção de corpos e territórios aquilo que chamaremos de redes de afetos. Circuitos que são gerados na interação de quem ali convive, numa relação cotidiana com o espaço onde interatuam. Pretender expulsar as pessoas dos seus espaços afetivos é tão destrutivo quanto criminoso, pois a potência da vida é tristemente afetada nesta expulsão, provocando uma diminuição da força de existir. Sendo assim, poderíamos pensar que o maior crime que se pode cometer numa cidade – na prática do Urbanismo – é a destruição de redes de afetos: o Afeticídio. Proporemos que por trás dele operará a tentativa de desmontagem do sujeito político – pois, o afeto é uma politica em si mesma, que se tece nos encontros corpo-a-corpo – e para poder resistir a essas práticas hegemônicas, é preciso primeiro saber que existem as possibilidades para isso. Será nos encontros com os outros e seus outros modos de viver onde poderemos expandir nosso repertório de possibilidades, acessando outras e possíveis maneiras de resistir e re-existir que possibilitem fazer valer os nossos direitos de viver numa cidade mais heterogênea, e de garantir nela a permanência das diferentes redes de afetos que já se desenvolvem nos mais diversos espaços urbanos. Ainda que não as percebamos. Ainda que não precisem da nossa participação nelas.


Palavras-chave: Afeto. Afeticídio. Potência de não. Tática do segredo. Performance. Resistências. Re-existências.


Orientadora

Paola Berenstein Jacques

Coorientadora

Fabiana Dultra Britto


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