Mestrado

Em busca da “cidade civilizada”: planos de conjunto para a Bahia dos anos 30 e 40

Felipe Caldas Batista

2014

Esta dissertação trata da emergência do plano diretor ou de conjunto na Bahia dos anos 1930 e 1940 enquanto recurso elitista destinado a atender ao disciplinamento da cidade de Salvador. O nosso objetivo principal é analisar o discurso do plano de conjunto num contexto maior de discursos e ações das classes dirigentes da Bahia no sentido de imprimir em Salvador dos anos 1930 e 1940 o seu ideal urbano. Para tal, procedemos uma breve análise da Escola Politécnica da Bahia (EPB) no tocante à formação social do corpo docente e discente ao lado da caracterização do seu programa de ensino acreditando que a mesma representou órgão de formação de profissionais e de propaganda dentro do ideário de cidade acalentado pelos administradores da capital. Investigamos diversas modalidades textuais da época a exemplo de planos, decretos, posturas, artigos jornalísticos e anais de seminário de Urbanismo que denunciavam os aspectos “tortos” e “errados” da velha capital preconizando, por outro lado, a necessidade da aplicação do Urbanismo, a “ciência da cidade”, e a organização de plano de conjunto para consertar a cidade segundo os princípios de constituição da “cidade civilizada”: higiene, estética, circulação, segurança e educação social. Apresentamos, portanto, o discurso elitista do Urbanismo e plano num contexto maior de pronunciamentos e desejos sobre Salvador dos anos 1930 e 1940 que eram favoráveis ao controle e, no limite, a eliminação de certos aspectos que depunham, segundo o pensamento das elites, “contra os nossos foros de civilização”, a saber, vendedores andarilhos, mendigos e moleques de rua, animais soltos a pastar nas praças, a falta de amplitude e retidão das vias públicas, o desalinho e a alta densidade dos velhos e novos quarteirões e outras tantas formas espaciais e práticas sociais reputadas indignas de uma cidade “moderna”, “progressista”, ou “civilizada”. Partimos da análise de alguns planos seabristas de embelezamento dos anos 1910 até alcançar a ruptura nos anos 1930 quando identificamos a emergência de planos de conjunto na Bahia a partir de sua instituição de fomento (Departamento Central das Municipalidades). Na capital, a política do plano de conjunto e o ideário hegemônico de cidade estão contidas nos anais da Semana de Urbanismo de Outubro de 1935, realizada em Salvador, por engenheiros da EPB, e também nos relatórios e plantas do Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador (EPUCS) entre 1943 e 1947.


Palavras-chave: Urbanismo. Plano Diretor. Bahia. Década de 1930 e 1940.


Orientador

Washington Luis Lima Drummond


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