Mestrado

Do caminhar que imagina, do imaginar que constrói: a potência da imaginação na construção de cotidianos urbanos

Ramon Martins da Silva

2017

Por meio desta dissertação, exercício de aproximações e articulações teóricas, pensa-se uma potência da imaginação a reger as práticas urbanas construtoras dos cotidianos da cidade. Propõem-se compreender as práticas, que imbricam as experiências da caminhada e da narração conforme sugere Michel de Certeau, como ação ético-política que se realiza através da imaginação potente traçada a partir da Ética de Bento de Espinosa e da apropriação do pensamento espinosano por Gilles Deleuze e Félix Guattari. Desta forma, aponta-se à existência da cidade viva, à cidade que se reconstrói constantemente pelos passos de seus caminhantes e praticantes, aqueles que de forma simultânea, incansavelmente, também reconstroem-se ao engendrarem modos de ser, estar e agir, modos singulares implicados na multiplicidade dos corpos da cidade. Discorre-se sobre a relação entre corpo e cidade; um corpo que se faz pela cidade e uma cidade que se faz pelo corpo. Destacam-se os corpos desejantes que fazem, das narrativas postas em existência pelos agenciamentos coletivos de enunciação, insumos a sua reconfiguração e atuação micropolítica. Corpos ativos no jogo dos encontros e das afecções, imbricados na complexidade e nas disputas pela produção de cidade que transformam e maquinam os desejos pelos quais os corpos se movem. Vislumbra-se, assim, a cidade, em memória à Ana Clara Torres Ribeiro, onde a vida se faz apesar e com o que simplesmente aí está e é.


Palavras-chave: Potência da imaginação. Espinosa. Práticas cotidianas. Corpo e cidade. Afetos e afecções.


Orientador

Fernando Gigante Ferraz

Coorientadora

Junia Cambraia Mortimer


Baixe aqui