TFG

As orlas de Salvador e suas paisagens praticadas: o caminhar como instrumento cognitivo e projetual

Joaquim Flores Seixas de Oliveira

2014

Este trabalho busca ressignificar o entendimento da paisagem das orlas e praias de Salvador/BA, que frequentemente tornam-se alvo do esforço especulativo de parte das forças atuantes sobre o planejamento da cidade. Investiga, também, a possibilidade de construir uma análise que interprete, para além da paisagem entendida como vista (ou cenário), a paisagem praticada, ou seja: resultante das práticas que constituem o uso dos espaços na faixa de território no limite da cidade com a faixa de areia e o mar. Entendendo o nosso corpo como principal canal de comunicação com o ambiente urbano, buscamos estabelecer um método de análise que se contraponha à abordagem do modelo hegemônico de planejamento especulativo da cidade (como o projeto apresentado pela Prefeitura Municipal de Salvador em junho de 2013 para a “Nova Orla” de Salvador), que apela à ideia de paisagem como um cenário, uma vista ampla e vendável, tomada de fora e de longe. Com base nos conceitos de José Guilherme Cantor Magnani, buscamos uma outra visão: de perto e de dentro. Para isso, trabalhamos as noções apresentadas por Francesco Careri de Walkscapes (paisagens do caminhar) e do caminhar como instrumento de apreensão e projeto, buscando observar e participar no aqui e agora das transformações que acontecem a todo o tempo na área de estudo do trabalho. Entendida a potência do caminhar como um ato de leitura e escrita do espaço, destrinchamos o método em três âmbitos interdependentes: o percurso como experiência (ato de atravessar a cidade); o percurso como objeto (a linha traçada ao atravessar); o percurso como narrativa (representando o relato da experiência). A dimensão propositiva do trabalho se pretende alcançar à medida em que as experiências realizadas, as interlocuções de percurso, os possíveis desvios e mudanças de rota e suas subsequentes representações narrativas indiquem a possibilidade de novas modalidades de intervenção capazes de ressaltar a leitura das paisagens praticadas e potencializar usos e experiências observadas e compartilhadas ao longo do caminho.


Palavras-chave: Paisagem praticada. Orla. Caminhar.


Orientadora

Paola Berenstein Jacques


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