Artigo

Na contramão da Rua: territórios ambulantes, desvios pelo movimento

Gabriel Schvarsberg

Anais do SILACC, São Paulo, 2010

A comunicação proposta busca pensar os desafios colocados pelas questões desta sessão temática no campo da Rua, entendida aqui como protagonista de uma resistência opaca aos processos de homogeneização, espetacularização e privatização dos espaços públicos. Para isso, a pesquisa opta pela apreensão da política da rua, inserindo o pesquisador no chão, em interação com o Outro, de modo a arriscar-se a experimentar diferentes padrões de significações e de práticas que produzem o urbano. Os aliados para essa investigação são denominados aqui sujeitos ambulantes. Indivíduos que trabalham, moram, sobrevivem, se expressam ou simplesmente se deslocam pelas ruas. Interessa aqui investigar como o movimento é instrumentalizado para o desvio dos padrões dominantes de homogeneização e produção de consensos sobre a cidade. Cada encontro desdobra-se em uma narrativa cartográfica, uma delas apresentada nesta comunicação. Seus desdobramentos reflexivos revelam colisões, fissuras e agenciamentos decorrentes do encontro dessas territorialidades ambulantes com as pulsões de sedentarização distribuídas pelos poderes da cidade. Através da investigação de um estado de rua, são apontados caminhos de resistência da rua à produção de vias, que nos levam a pensar modos de substituir a velocidade de um fluxo uniforme por fluxos heterogêneos mais lentos: sabotar a velocidade a favor do movimento. O percurso teórico, num campo mais ampliado, aponta para os limites das práticas urbanísticas e a necessidade de uma atuação no próprio limiar da disciplina com outros campos do conhecimento.


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