Artigo

FAZER ÀS MARGENS DO URBANISMO: Metodologias e experiências varzeanas entre Rio e Salvador

Bárbara Silva da Veiga Cabral

Henrique Carvalho Delarue

2025


E-book Várzeas Urbanas: habitar paisagens de várzeas, 2025

Volume 3: entre escalas e cartografias – cap. 2 (p. 23-50)

Atas do 1º Colóquio de Várzeas Urbanas (Bauru, 2024)

ISBN 978-65-01-53302-5


Resumo: Que noções de projeto emergem às margens do urbano e do urbanismo quando não pretendemos impor soluções? Podem urbanistas propor intervenções varzeanas que não nos afundem ainda mais na lama dos processos de urbanização desconectados dos fluxos já existentes nas cidades? Por um lado, várzeas são presenças marcantes em urbanizações como as carioca e soteropolitana, emergindo apesar dos aterramentos de pântanos, mangues, mares e lagoas. Por outro, ocupações em várzea — tanto pela perspectiva geográfica quanto pela conceitual, de lugares que escapam ao urbanismo hegemônico por meio das práticas que os constituem — alimentam aprendizados e experimentações no campo. Nesta reflexão, esboçamos urbanismos que consideram agências para além do planejado e são terreno de outras vivências. Partindo de nossas experiências — a prática urbanístico-performativa de escuta a um rio enterrado vivo em Salvador (2023) e uma metodologia de projeto experimental elaborada no Rio de Janeiro (2017) — repensamos nosso papel enquanto urbanistas e conduzimos as reflexões varzeanas aqui trabalhadas. Esses exercícios propõem apreender os espaços trabalhados por meio de suas situações e agentes. Enquanto a performance opera na experimentação corporal da cidade e visibilização dos conflitos entre fluxos e urbanização, a metodologia desloca a prática projetual de uma pré-determinação de usos para uma colaboração com programas que emergem das dinâmicas cotidianas do urbano. Sua aplicação espacial ocorre por uma série de intervenções pontuais e continuadas: testes de usos que não intencionam oferecer soluções, mas suportes para potencializar forças urbanas já existentes em terrenos tidos como residuais. Perceber cidades como um conjunto de elementos em relação permite, enfim, agir urbanismos responsivos e em aberto que acolhem e se aliam às matérias e fluxos soterrados por práticas urbanísticas hegemônicas.


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