Doutorado

O urbanismo e o candomblé: sobre culturas e produção do espaço público

Thais de Bhanthumchinda Portela

2008

O trabalho busca construir um ato reflexivo sobre a noção de cultura produzida no campo do urbanismo e do planejamento urbano contemporâneo elaborado pelo profissional arquiteto. Para tanto, busca-se a análise da relação entre distintas coletividades, que ao longo do tempo formalizam (material e imaterialmente) o espaço da cidade através de suas respectivas manifestações culturais (modos de produção do ser e estar no mundo) e agenciamentos (conexões entre diferentes fragmentos: entre os sujeitos, entre sujeitos e objetos, entre objetos). Esses termos seguem os conceitos de Gilles Deleuze e Félix Guatarri sobre a produção do desejo. Geradores de modos distintos de produzir a ocupação (o efêmero) e a construção (o permanente) do espaço público da cidade, as coletividades analisadas são: uma, a dos que edificam a cidade através da lógica objetiva do plano e do projeto, os arquitetos urbanistas e planejadores urbanos e a outra, a do povo-de-santo do candomblé, cujos sujeitos ocupam e constroem a cidade a partir de outras singularidades. Os espaços públicos produzidos com a presença dessas coletividades são cartografados em duas cidades significativas no que tange esses campos culturais: Rio de Janeiro-RJ e Salvador-BA. Cria-se, portanto, uma análise reflexiva através do mapeamento de alguns processos relevantes na construção e ocupação do espaço das duas cidades, ambas inseridas no contexto do capitalismo mundial integrado, observando tanto a atuação e o discurso dos profissionais da ordem e da disciplina urbana, usualmente conectados aos poderes dominantes, como a ação da coletividade religiosa do candomblé, cujo agenciamento é de marcada resistência ao poder das elites capitalísticas.


Palavras-chave: Cidade. Cultura. Arquitetura. Planejamento urbano.


Orientadora

Ana Clara Torres Ribeiro (IPPUR/UFRJ)

Coorientadora

Paola Berenstein Jacques


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